Dr.Divino Eustáquio da Cunha
Contador,
Advogado,
Professor universitário de contabilidade, custos e estratégia empresarial.
divsuperintendente@chevel.com.br
Orientação é dever
inerente à profissão do contador. A dinâmica do mercado, a falta de
sensibilidade do poder público em oferecer condições de
reduções de custos (com altíssimos tributos e juros de especulação),
as inovações tecnológicas e a concentração de empresas:
tudo vem exigindo a máxima atenção com a
produtividade das receitas.
Ou seja, é preciso cuidado para que exista um melhor aproveitamento
dos valores de vendas, com a promoção de menores custos e despesas.
Um acompanhamento dinâmico, contínuo, deve ser feito
por parte do profissional, no sentido de alertar o cliente para que
consiga realmente proteger-se das despesas inúteis e dos fatores
corrosivos dos resultados que a improdutividade causa. Tal responsabilidade exige na análise dos balanços a
extração de quocientes comparativos. E preciso cotejar o quanto de
percentagem a receita do período anterior representa em relação à
receita do período atual, determinando a variação ocorrida. O mesmo
deve ser feito em relação ao lucro líquido, ou seja, deve-se obter a
percentagem que existe entre o lucro do período anterior e o lucro
do período atual. “O
estudo das informações contábeis é um dever profissional, pois, não
basta apresentar balancetes e balanços, necessário sendo que se
explique como estão ocorrendo os fatos.”
A seguir, a observação deve centrar-se em conhecer qual a relação
que existe entre tais percentagens. Ou ainda, é preciso comparar as variações dos
percentuais para se conseguir observar como se processaram tais
relações.
Exemplificando
Elementos
Vendas
Lucros
P 1 - $
1.200
180
P 2 - $
1.600
290
% - P1: P 2
0,75
0,62
% - VARIAÇÃO
0,25
0,38
Percebe-se, no exemplo, que as vendas cresceram, mas,
os lucros cresceram mais que proporcionalmente. As vendas do Período l (PI) foram 75% do montante das
vendas do Período 2 (P2), logo uma variação de crescimento que se
pode estimar em 25%. Os lucros do Período l (PI) representaram 62%
daqueles do Período 2 (P2), havendo um crescimento estimado de 38%.
Logo, os lucros cresceram mais que proporcionalmente às receitas. Isto é um indício de que houve maior produtividade,
ou seja, um melhor aproveitamento dos elementos promotores dos
resultados.
O estudo das informações contábeis é um dever
profissional, pois não basta apresentar balancetes e balanços,
necessário sendo que se explique como estão ocorrendo os fatos. A ciência contábil nos ensina que existem modelos a
serem respeitados para que a eficácia ocorra. No caso do lucro deve
existir uma proporção entre este e a venda, assim como desta para
com os investimentos na produção (este é o modelo qualitativo a ser
seguido).
A questão não está apenas em medir friamente se houve
ou não lucro, mas, sim em conhecer a proporcionalidade que este vai
alcançando em face do que se produz e vende.
No recente livro que acaba de ser lançado pela
Editora Juruá-Moderna Análise de Balanço ao Alcance de Todos
-, do eminente prof. Antonio Lopes Sá, é apresentado tais modelos
com algumas minúcias, de forma a mostrar como cientificamente é
possível obter recursos seguros para a orientação das empresas. Nesses referidos detalhes ressalto que existem
fórmulas qualitativas aplicáveis a todos os tipos de negócios, mas,
quantificáveis de acordo com cada uma das circunstâncias. Ou seja, os casos específicos devem considerar
condições específicas relativas às influências, pois, representa um
indicador de grande importância.
Podem existir casos transitórios ou eventuais que
perturbem os índices, mas, são exceções que se evidenciam sem
dificuldades, também nas análises. O importante é que o profissional aplique, com
diligência, os controles indiciários da movimentação do patrimônio e
que alerte o cliente para as variações ocorridas. Não obstante, o
cliente deve seguir os ditames da orientação e o profissional
acompanhar no sentido de realizar a correção preventiva para que não
necessite de corretiva que, a rigor, nem sempre funciona.